segunda-feira, 14 de março de 2011

Antagônico

Ser a aventureira que não se importa com nada e só quer cair no mundo, por o pé na estrada e sair sem destino, sem pensar no amanhã, conhecer lugares, capturar paisagens, conhecer pessoas e conhecer a si mesma.

Ser a gótica, romântica, de alma obscura e inquieta em busca de paz de espírito. Amante da noite, do oculto, do que vai além. Curiosa sobre o passado, receosa e pessimista quanto ao futuro. Apaixonada, melancólica, sombria e eterna.

Ser a arrogante, do tipo cheia de si. Ambiciosa, vaidosa, inconseqüente, manipuladora. Viver no perigo, viver por um fio é a diversão. Egoísta. Quem apenas quer o melhor para si, personalidade destrutiva. A que deseja estar entorpecida, alucinada.

Ser a pessoa pacata, mãe, esposa, amiga, irmã e mãe. Quem gosta de natureza, de proximidade, é sensível e amorosa. É mãe. Feliz, equilibrada, delicada e serena. Altruísta. Professora. Mãe.

Como ser tantas em uma só? Qual a verdadeira essência?
O mais difícil é ser todas ao mesmo tempo. Se fossem apenas fazes, hoje uma e amanhã outra. Mas é apenas não ser uma e ser tantas. É disputa equilibrada, impossível observar vantagem, quem dirá vitória.
E no fim, sobra ser ninguém, anular-se. Distrair a si mesma e anular-se, ser um eu sem ser.

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