Certas músicas me fazem lembrar da minha cidade, na verdade, do meu passado não muito distante. Eu tinha tudo que precisava para ser feliz e não sabia. Meus gatos, meu quarto, minha casa, o cemitério não muito longe de casa, a pracinha... Era a minha cidade, eram minhas coisas, minha família, meu lar, meu lugar!
Aqui me sinto tão presa, tão mais longe de mim. Droga de cidade essa. Queria trancar um semestre para passar uns 6 meses na minha cidade.
Tive um sonho essa noite. Um sonho bacana até.
Andava na rua de cabeça baixa para que as pessoas não me reconhecessem. Isso não poderia acontecer, afinal, até então, todos deveriam pensar que eu estava morta. Era o que eu queria que pensassem, era o que eu acreditava que todos deveriam pensar. E elas realmente não me reconheciam, parecia que nem me viam. Era estranho, mas era a intenção que não soubessem que eu estava ali.
Cheguei, então, a um lugar grande, tipo um salão, na verdade um prédio dividido em vários salões. O local parecia meio abandonado, principalmente a partir da segunda sala, era mal iluminada, havia cadeiras velhas empilhadas, os vidros estavam sujos e quebrados. Havia muitas pessoas na primeira sala, que era mais bem conservada.
Eu me encaminhava para a sala seguinte. Vi uma amiga, a Carla, que me viu e foi ao meu encontro. Fui falar com ela, enquanto isso as pessoas começavam a ir embora e uma senhora passou por nós duas, dizendo que estava fechando o local. Só tive tempo de dizer à Carla que estava à espera de um alguém (que ela deveria saber quem era). Ela disse que tinha que ir porque estavam fechando o local, e eu disse que não se preocupasse, pois presa ela não ficaria. Ela me olhou e disse: “Não atravesso paredes como você!” e foi embora. Fiquei perplexa! Eu estava morta então?
Depois disso, continuei andando, era tão difícil entender aquilo. Quando vi “ele” no fundo do salão mal iluminado, corri ao seu encontro e nos abraçamos, como se não nos víssemos há um século, ou mais que isso, como se nos víssemos depois da minha morte, e na verdade era isso mesmo. Acho que não nos falamos, mas lembro que estávamos muito emocionados. Ele tinha que ir embora e eu, por que não sei, tinha que ficar. Porém, ele voltaria todos os dias para me ver.
Esse salão ficava dentro de um cemitério. Era difícil agir como morta, os sentimentos eram de vida, apesar de o mundo parecer bem menor e bem mais vazio. A solidão era mais fria enquanto esperava por ele. Enquanto esperava, vi alguém chegando, era um cara moribundo, fiquei com medo, pois ele vinha na minha direção. Ele parou no meu lado, onde deitou, tirou os sapatos e dormiu, então eu pensei “De que eu tenho medo? Estou morta e ele nem pode me ver!”.
Mas, algumas pessoas sabiam da minha presença. E queriam que eu saísse dali, como se eu fosse um espírito maligno que assombrava o local. Eu procurava um lugar bacana num prédio que ficava dentro do cemitério para receber minha visita. Quando percebi que pessoas cercavam o lugar. Havia um cara que liderava o grupo, eu passava por eles, mas não me viam. Ele, a pessoa por quem eu esperava tão ansiosamente, quando percebeu o que acontecia, tentou me proteger de tal perseguição, afinal, parecia que tinham encontrado algum jeito de me localizar.
(Os sonhos, geralmente não acontecem em sequências muito lógicas)
Agora, eu estava “materializada”. Eu e meu amado (sim, acho que éramos amantes, no sentido de nos amarmos) saltamos do segundo andar. Bem, eu já estava morta, ele morreu. Ficaram ali só nossos corpos, rodeados por aquela gente que chegara então à conclusão de que não havia almas penadas ali, mas, pessoas que por medo daquela agitação e perseguição, saltaram de uma janela e morreram. Enquanto aquelas pessoas sentiam culpa por causarem a morte de um casal, o casal observava de certa distância, aquela multidão perturbada, ela sorrindo e ele dizendo “Os enganamos, agora ficaremos em paz”! Duas almas que se amavam unidas pela morte.
Lembrei desta música, e eu não ouço essa música há tempos.
Don’t Fear the Reaper (cover) – HIM
Não Tema O Ceifeiro (A Morte)
Todos nossos tempos chegaram
Aqui mas agora eles se foram
Temporadas não temam o ceifeiro (a morte)
Nem o vento, o sol ou a chuva
Nós podemos ser como eles são
Venha baby... Não tema o ceifeiro (a morte)
Baby pegue minha mão... Não tema o ceifeiro (a morte)
Nós poderemos voar... Não tema o ceifeiro (a morte)
Baby eu sou seu homem...
O namoro já está feito
Aqui mas agora eles se foram
Romeu e Julieta
Estão juntos na eternidade
Romeu e Julieta
40.000 homens e mulheres todos os dias...
Como Romeu e Julieta
40.000 homens e mulheres todos os dias...
Redefinem a felicidade
Outros 40.000 vindo todos os dias...
Nós podemos ser como eles são
Venha baby... Não tema o ceifeiro (a morte)
Baby pegue minha mão... Não tema o ceifeiro (a morte)
Nós poderemos voar... Não tema o ceifeiro (a morte)
Baby eu sou seu homem...
O amor de dois é um só
Aqui mas agora eles se foram
Veio a última noite de tristeza
E era claro não podíamos prosseguir
Então as portas se abriram e o vento apareceu
As velas se apagaram e então desapareceram
As cortinas se balançaram e então ele apareceu
Dizendo não tenham medo
Venha baby.... E nós não temos medo
E nós corremos pra ele... Então começamos a voar
Nós olhamos pra trás e dissemos adeus
Nós nos tornamos como eles são
Nós pegamos sua mão
Nós nos tornamos como eles são
Venha baby... Não tema o ceifeiro (a morte)
Não tema o ceifeiro (a morte)
Nós nos tornamos como eles são...
Como Romeu e Julieta