Pela manhã - Enquanto o professor não aparece.
O sábado
Saí às 9h30
min. Fui ao centro comprar umas coisinhas, em especial uma
roupinha descente para ir à ópera com o “B”. Não foi fácil, as G ficavam apertadas no busto. Um saco comprar roupas. De 12
experimentadas levei três, um milagre! Só de uma eu gostei mesmo, a que usei à noite.
Mas, vamos ao que interessa. Eu deveria ter escrito quando cheguei a casa no sábado à noite. Agora, dois dias depois, as coisas já estão um tanto
bagunçadas em minha mente, já nem sei dizer se gostei mesmo.
Eu estava bem calma. Nem parece que quando eu quase topei com ele há uma semana meu coração quase rasgou o peito. Parece que estou meio indiferente. E essa indiferença é uma forma de defesa que tenho, é instintiva. Nós pegamos o mesmo
ônibus para ir. Bem, pelo horário que eu vi, e vi o horário errado, o
ônibus que deveríamos pegar no centro sairia às 18h55
min, na verdade sairia às 19h16
min. Espero que ele não tenha se incomodado de esperar 20 minutos a mais e de ter saído de casa mais cedo.
Não tínhamos muito assunto, ele não é tão prolixo quanto eu gostaria que fosse. E eu também estava indiferente, é uma
reação natural minha, não controlo, meu cérebro bloqueia. Não vejo a hora de falar com ele outra vez para desfazer uma possível má impressão.
Não sei se deveria
exteriorizar isso ou se deveria guardar isso ou até esquecer, mas enfim, eu tive certa
atraçãozinha por ele. Ele é muito gente boa e sei lá, foi um fato diferente, sair com ele. Bem, não sei. Ele não parece mais tão legal e acho que fui muito fria no sábado. Não sei mesmo o que pensar, preciso vê-lo de novo para saber.
Ontem fiquei muito irritada com minha mania de “repassar o texto”. No domingo enquanto lavava roupa e fazia uma faxina no meu quarto, fiquei repetindo mentalmente tudo que falei, me lamentando de ter dito algumas coisas e reformulando algumas falas como se eu pudesse refazer a cena, gravar outra vez. A vida é um teatro que não tem ensaio. Eu tentava não fazer isso, mas em dois ou três segundos estava eu novamente repassando o texto, meu cérebro é
autônomo. Quero muito sair com ele outra vez, nem tanto pela companhia, mas para melhorar minha imagem. Ele meio que me convidou para sair com ele. Vou perguntar sobre o convite, demonstrar algum interesse para disfarçar minha indiferença.
(Agora o professor vai aplicar a prova,continuo depois) Depois da prova...
(Sinceramente não acredito que das nove questões seis eram iguais as da última prova. Que falta de criatividade para elaborar prova) Porque acho que ele deve pensar que eu não gostei da companhia dele. Na real nem sei se gostei mesmo. Acho que não tenho memória curta. Não lembro muito bem de sábado à noite, sou alienada mesmo. Só sei que cheguei 0h30
min. Passei seis horas com ele. Aposto que todo o tempo com um sorrido amarelo.
Na sexta-feira eu liguei para o serviço de apoio psicológico da universidade, quando atenderam ao telefone me deu um branco, não falei nada. Na próxima eu treino antes. Estou fazendo uma
auto análise, tipo um diagnóstico
organizacional de mim. E acho que sou doida mesmo.
Ele está me parecendo sem graça agora. Mas estou morrendo de vontade de sair com ele outra vez. Neste
exato momento (10h16
min) ele começa a parecer interessante de novo. Ou é só curiosidade de saber onde vai parar, se eu vou ou não conseguir levar isso adiante, sabe um relacionamento, não sou muito boa nisso, nenhum dura muito (estou falando de amizade mesmo, já que outra coisa nunca tive). Bem, é fato: preciso
experimentar a companhia dele outra vez.
E tem a história de ele ir ou não embora em
março. Estávamos esperando o
ônibus, antes de irmos para o teatro, e ele disse, tive a impressão de que iria dizer “bem, em
março vou embora”. Mas, quando ele disse “em
março” eu olhei para ele, porque imaginei que isso viria seguido de “vou embora”. Então ele disse “em
março (olhei para ele) bem eu não sei”. Não sei com que cara eu olhei para ele, mas achei engraçado. Parece que ele mudou o que iria dizer, parece que não quis dizer que vai embora quando terminar o mestrado. É, eu sou meio
paranóica mesmo.
À noite...
Meio dia eu fui almoçar com a Carla e depois resolvemos fazer um “
tour” pela universidade. Acabamos encontrando o “B”. Ele estava com uns amigos. Passou do nosso lado e nem percebeu, a Carla chamou (não deveria) e ele olhou para trás e nem parou. Disse um
oi sem graça e continuou andando. No fim fiquei me sentindo uma
palhaça, foi rejeição. Fiquei pensando na possibilidade de ele ter odiado minha companhia no sábado e ser obrigado, por educação, a ficar comigo por seis horas e então me senti mais idiota ainda. Estava muito chateada quando cheguei a casa, entrei no
MSN e ele estava
on line. Eu não iria falar com ele, mas ele falou comigo. Conversamos rapidamente. Acho que na hora ele se atrapalhou um pouco porque estava explicando alguma coisa para o amigo e... Sei lá. Mas como foi ele quem começou o papo, não deve ter desgostado tanto assim da minha companhia. Tenho muita coisa para estudar, mas não estou afim, então vou dormir.